Afinal, a Terra é plana?

Ah como seria meu sonho se a Terra fosse plana! As contas ficariam tão mais fáceis! Realmente é difícil para mim, pobre engenheiro aeroespacial, escrever sobre o fato de que a Terra nãoé redonda. Confesso que, para mim, está no sangue a ideia de que a Terra é redonda. Mas diante vários vídeos com que venho vendo no YouTube, começo a me preocupar um pouco sobre a rapidez com a qual esse tema vem tomando certa veracidade.
E me tomou como um assunto de extrema urgência a ser discutido quando assisti a um vídeo do nosso filósofo de araque Olavo de Carvalho, relacionando e afirmando que Einstein resolveu “modificar” toda a teoria da física clássica para não admitir que a Terra não se movimentava ao longo do Sol (veja aqui o vídeo, se tiver coragem). Mas o que isso tem a ver com o fato da Terra ser plana ou redonda?  Final do post eu comento…
Para começarmos a desconstruir essa ideia maluca que corre em suas mentes doidas, vamos desmistificar o primeiro (e muitas vezes usado como brincadeira) argumento de que a Terra é plana: “A Terra é plana porque chama planeta, se fosse redonda se chamaria redoneta!”…Pera lá meu caro intelectual de araque. A origem da palavra planeta vem do grego planetai, que significa errante, algo que não é fixo. Isso porque os antigos astrônomos gregos perceberam que certos astros não se mantinham fixos no céu. Daí, planeta! Desculpe a decepção, mas nossa Terra chama planeta, pois assim como esses astros errantes, também estamos em movimento: em torno do Sol [fonte].
Mas tudo bem, sei que esta explicação não é nada científica para mostrar que a Terra não é plana. Então, continuemos na Grécia, e vemos o que um senhorzinho simpático chamado Erastótenes aprontou em 276 a.C. Homem sagaz, percebeu que no mesmo dia, no mesmo horário, as sombras de duas varetas idênticas e posicionadas da mesma forma criavam no chão sombras diferentes. Com um pouco de algebrismo e trigonometria, ele conseguiu mostrar não só que a Terra é redonda, como também quanto valia seu raio (e pasmem, com um erro menor que 10% do valor conhecido hoje).
E se ainda não se convenceu que a nosso lar é redondo, respira fundo, vá relaxar e pegue uma praia. Mas não esqueça de levar um binóculo. Ficou confuso. Explico! Observe os navios ao fundo se afastando da costa brasileira. Se morássemos em um planeta plano, veríamos os navios se tornarem cada vez menor, até se tornarem “um ponto” e sumirem no horizonte. Mas não é isso que se observa! Vemos os navios ir sumindo em partes: primeiro o casco, depois o convés, e então o mastro. Parece que o navio está entrando na superfície, mas ele simplesmente está saindo da sua linha de horizonte. Caso tenha ficado um pouco confuso, segue dois vídeos que ajudam a esquematizar essa ideia (e mostram que realmente acontecem).
Será que neste momento meu caro leitor já se convenceu que de que a Terra não é plana. Caso ainda tenha aquela pulga atrás da orelha, então deixo aqui minha última cartada. Os astrônomos, em sua loucura de estudar os céus, desenvolveram modelos e modelos para explicar a origem do universo. E para a validação deste modelo, usam observações astronômicas, que usualmente são feitas nos grandes observatórios. O interessante é que em uma parte deste modelo, usa-se uma equação bem conhecida por nós, mas pouco entendida por todos, que é a equação E=mc², demonstrada por Einstein (achou que eu tinha esquecido dele). E o que isso tem a ver com o fato da Terra ser plana ou não? Simples. Um dos resultados que estes modelos nos oferece é que a forma mais estável e natural de concentração de massa é na forma esférica. E como nossa querida Terra é uma concentração de massa nesse cosmos, sim, temos uma gigantesca chance de sermos esféricos.
Touché, Leonardo! Você mesmo disse que temos uma gigantesca chance, não que somos! A Terra é plana!”Calma meu querido leitor. O que quis dizer é que o modelo nos oferece uma afirmação de que os corpos celestes possuem forma natural esférica. Mas isto é um modelo, pode (e deve) ser falseável. Mas não nos esqueçamos dos outros dois experimentos que citei acima. Eles, sim, juntos à afirmação do modelo, nos garantem que nossa planeta é redondo. E para nosso querido “filósofo” Olavo de Carvalho, Einstein em nenhum momento se negou a refutar o heliocentrismo, ele simplesmente já conseguia enxergar todo uma ciência que foi posta em prova 100 anos depois de sua dedução, com as observações das ondas gravitacionais feitas pelo LIGO.

Falando em relatividade geral, sabe um instrumento que se utiliza tanto da relatividade quanto do fato de que a Terra não é plana?! Sim sim, o seu querido e amigo que te leva a qualquer lugar: o GPS (teremos um post sobre ele). Mas só antecipando um fato curioso. Para calcular sua localização na superfície, o sistema GPS resolve uma conta super simples. Velocidade é a variação da distância no tempo, ou mais conhecido
onde, sabendo a velocidade de propagação do sinal (que é a velocidade da luz) e o tempo que leva para sair do satélite até chegar ao seu dispositivo, pode-se calcular sua posição. E no quesito tempo, um fato interessante é que se negligenciarmos toda a teoria de Einstein, o erro no cálculo da sua posição chega a ordem de quilômetros (Esse vídeo explica perfeitamente o link entre Einstein, GPS e a Terra redonda.). E para me despedir de você, chuta em como os engenheiros acreditam ser a Terra ao construir e colocar um satélite em órbita. ツ

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